sábado, 25 de novembro de 2006

um dia perfeito para bombardeamentos




Deslizo para a frente através da minha mente, penso metade do tempo ao contrário. Vejo-me a cantar a canção que escrevemos juntos. Tivemos um sonho, tivemos tudo. Fomos até ao fim do mundo, fomos à procura. Subimos arranha-céus que depois explodiram, já não havia paz. Perdi o balanço e caí para trás.

Deslizo para a frente através da minha mente, volto sempre ao mesmo sítio. Silêncio sem resposta.

A melhor coisa que Deus criou é haver todos os dias um novo dia.




[música e clipe de banda islandesa Sigur Ros, da música Vidrar Vel Til Loftarasa]


Um vídeozinho já bastante divulgado nas comunidades.

Acho ele muito bonito devido à sutileza da história. Depois que achei a tradução da letra, apaixonei-me. Vejo uma realidade impresionante no clipe. Que os pais, achando que estão salvando os filhos, sangram-nos.


O menino escutara claramente o que seus pais lhe disseram, absorvera palavra por palavra, repetindo-as nas lembranças. Cada palavra matava uma boa memória, um momento único de prazer de sua vida. Esperava que sobrasse pelo menos um pequeno fiapo de algum bom momento quando chegasse onde seus pés o levavam.

Pés. Metrô. Ônibus. Pés. O prédio. A calçada.

Não era um solitário, não se isolava socialmente, mas, naquele momento, tornara-se um ser diferente - aqueles que todos olham diferente. E, sentado naquela calçada, em frente àquele prédio, gostaria de voltar a ser normal.

O calor humano próximo.

Não queria mudar, seria assim a vida inteira, sentiria isso infinitivamente. Reagiria àquelas sensações com o mesmo extâse anterior.

Braço no ombro. O amigo.

Porém agora percebera que era diferente. Seus pais lhe disseram, abriram-lhe os olhos. Mostraram-lhe uma realidade cruel.

O beijo. Os lábios. O amante.

Mas era normal. O amor, as carícias, todo era normal, via todos os dias, o tempo todo. Por que teria de lutar por algo tão singelo, tão simples, tão ordinário?

Afinal de contas, o que interessava aos pais? Por que eles preferem matar os filhos - direta ou indiretamente - a aceitá-los assim?



Quero viver esse amor imensa, indeterminada e inteiramente. Quero respirar, ser normal, parar de me preocupar, parar de morrer dia após dia...

"Ninguém tem o direito de dizer a quem quer que seja que o seu amor por outro ser humano é moralmente errado."
(Barbra Streisand)

Um comentário:

Anônimo disse...

Lindo, lindo, lindo! Ao mesmo tempo que é super delicado, nos toca profundamente!