domingo, 24 de fevereiro de 2008

após um longo hiatus...

Eis eu aqui de novo. Não, não nenhuma notícia porque eu estivesse negligenciando tudo desde que eu comecei meu curso, há um ano. Claro que essa não é um a desculpa isolada. De qualquer forma, estive afastada de tudo - não completamente, mas mentalmente sim. Estive refletindo tanto na época que em 2007 não consegui colocar as idéias em ordem (e ainda estão todas muito confusas). Sem contar que tive problemas pessoais enormes relativo ao tema. Não, 2007 não foi um bom ano para mim. Abandonei às traças muitas coisas que não devia, muito mais do eu queria. O meu curso universitário se mostrou mais do que insurpotável (ainda procuro uma boa palavra para descrevê-lo) e, após isso, no meio do ano, comecei a estagiar em um ambiente bastante hostil.

E eu tive que ouvir de tudo. Desde uma colega falar em plena aula de Direito Civil "não tenho nada contra, mas um casal gay mais uma criança adotada não forma uma família de verdade" até os ataques gratuidos da "ótimas" funcionárias públicas do meu estágio sobre qualquer pessoa que meramente tivesse uma característica do esteriótipo homessexual. Imagine quando foi uma transsexual saber do processo dela (pedindo mudança de nome e gênero). E quando um grupo claramente de homossexuais foram registrar o óbito de um amigo.

Mas entre essas e outras, eu existi em 2007. E minha promessa de atitude para 2007 nem sei quando morreu. Só sei que de janeiro a dezembro, a coisa só piorava. E durou até janeiro de 2008, que eu iniciei com uma rinite alérgica (ou seja lá o que fosse) que só se curou no dia primeiro de fevereiro. Os vestígios se arrastam por fevereiro, mas creio que os superarei. Assim espero.

domingo, 10 de dezembro de 2006

E.S: HIV+ exige indenização de Banco por ter sido demitido

Funcionário HIV+ acusa o Banco Real de discriminação e exige uma indenização de R$ 150 mil por ter sido demitido.

Ele trabalhava há 17 anos numa agência do Banco Real no Espírito Santo e alegou que foi demitido em 2004 da empresa por ter assumido ao seu superior que era portador do vírus HIV.
O banco ainda pode recorrer ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), última instância.

"Desde 1995, a lei federal é específica nesses casos. Não se pode deixar de contratar nem demitir ninguém por causa da saúde. E a Aids entra na questão", explica o advogado Christiano Menegatti, responsável pelo caso do bancário,

A primeira vitória do processo foi garantida junto ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT) que se baseou no princípio da dignidade da pessoa humana e o princípio de função social da propriedade.

Ainda assim, a Lei 7.556 de 2003 da legislação estadual é contra qualquer ato de discriminação contra quem tem o vírus HIV e em Vitória, a Lei 4.101 estabelece desde 1994, punições para entidades públicas e privadas que discriminem o soropositivo, proibindo inclusive que o teste anti-HIV seja exigido para inscrição em concurso público, para admissão ou para permanência no emprego.

O Banco pretende aguardar a decisão final da Justiça porque o caso está sub judice, ou seja, o processo ainda está em julgamento, e a determinação não foi definitiva.


[fonte: GLS Planet]

Notícia do dia primeiro de dezembro. O que supreendeu (além de ver que é daqui do estado) foi que isso não vai para os noticiários.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

em uma sala de aula

Em minha última aula de Língua Portuguesa do semestre tive que me manifestar voluntariamente. Por alguma razão por mim desconhecida (devido a uma pequena fuga para espairecer), iniciou-se o tema polêmico: adoção daquela criança pelo casal homossexual.

Entre comentários sobre o preconceito que a menina sofreria preconceito devido aos pais (manifestei-me argumentando que crianças sofrem preconceitos por pais pobres, gordos, vegetarianos; e uma colega completou dizendo que ela cresceria e entenderia) e a troca de “valores” da menina (como uma colega falou: homossexualidade não é “valor”) um ignóbil resolveu abrir a boca:

“Professor, eu não concordo com o uso da palavra 'casal' para eles, porque, se você olhar na etimologia da palavra, ela se refere a um macho e uma fêmea. Gostaria que você me orientasse quando a isso. É certo o uso da palavra ou é melhor referir como associação?”

Eu não tive forças para responder – porque eu xingaria-o muito. Mas uma colega me fez esse favor e esclareceu a ele que as palavra estão sempre se adaptando à época. E olhe que tivemos que ler um texto muito grande justamente sobre isso. Mas esse questionamento não foi o pior, acreditem. Após um tempo, quando eu já pensava que ele se colocara no lugar dele...

O dito cujo começa a dizer que as pessoas tem que seguir os padrões da sociedade! Mas não foi o pior, primeiro ele disse que o movimento gay queria casamento na igreja! E falou que o Catolicismo era democrático!

Três pontos. Primeiro, quer dizer que eu tenho que me omitir para ser mais da sociedade? Não, não, meu senhor. Eu vou gritar o quanto eu quiser até que a sociedade veja que me reconhecer não fará mal nenhum a ela, mas a mim sim.

Segundo, aí eu me manifestei e transcrevo exatamente o que eu disse: “Só para corrigi-lo, porque até dói ouvir isso, os homossexuais não reclamam por casamento na igreja, até porque, na maioria das vezes, eles não são religiosos justamente porque são repudiados. Eles querem o reconhecimento da união (...)”. E ainda tive que ouvir uma resposta que ele não falou isso por opinião dele, ele vira em algum lugar. Fiquei muito feliz em ver um casal de colegas revirando os olhos e questionando baixinho: “onde?”.

Terceiro, nenhuma religião é democrática, e sim teocrática. Você tem que seguir as regras do ser absoluto, não pode questionar, só crer. Não é uma crítica, é uma verdade.

Pois é, esse é o único tema que me faz manifestar nas aulas por livre e espontaneamente. Como em minha turma tem muitos homofóbicos, espero que minhas manifestações mudem a mentalidade deles, nem que seja só as idéias erradas. Concordo com Gandhi: nós devemos ser a mudança que queremos no mundo

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

Câmara aprova lei que incrimina preconceito contra gays

O projeto, que tramitava na Câmara desde 2001, prevê prisão de até cinco anos

Denise Madueño

BRASÍLIA - A Câmara aprovou nesta quinta-feira o projeto de lei que torna crime a discriminação ou o preconceito de pessoas por sexo, gênero, orientação sexual e identidade de gênero - que abrange transexuais e travestis. O projeto é considerado prioritário pelo movimento de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros (GLBT) e tramitava na Câmara desde 2001. Pelo projeto, quem praticar atos de discriminação poderá ser punido com até cinco anos de prisão.

Pela proposta, quem "impedir ou restringir a expressão e a manifestação de afetividade em locais públicos ou privados abertos ao público" em virtude dessas características, poderá ser punido com dois a cinco anos de prisão. O projeto modifica leis que já proibiam a discriminação por raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, incluindo a discriminação por orientação sexual, gênero, sexo e identidade de gênero como crime e determinando as mesmas penas. Além da lei contra o racismo (lei 7.716), o projeto também modifica o Código Penal e a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).

"O Brasil deu um grande passo. Outros países já adotam legislação parecida", comemorou a deputada Iara Bernardi (PT-SP), autora do projeto. "Com o projeto, eles (gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros) têm um aparato legal para se defender", completou a deputada. O projeto ainda precisa ser votado pelo Senado para depois ir à sanção do presidente da República antes de se tornar lei.

Pelo projeto, é crime impedir, recusar ou proibir o ingresso ou permanência em qualquer ambiente ou estabelecimento público ou privado, que seja aberto ao público, de pessoas por sua orientação sexual. Também passa a ser crime a discriminação na hospedagem em hotéis, pensões ou motéis; no sistema de seleção educacional; no recrutamento ou promoção funcional ou profissional e no aluguel e compra de imóveis. As penas, para quem cometer o crime, vão de um a cinco anos de prisão.

O projeto foi aprovado em votação simbólica, quando não há registro dos votos dos deputados no painel eletrônico, e causou protesto do deputado Pastor Pedro Ribeiro (PMDB-CE). Representante da Assembléia de Deus, o deputado não percebeu quando o projeto foi votado. "O Inocêncio (deputado Inocêncio Oliveira, vice-presidente da Câmara, que presidia a sessão) anunciou a votação em sussurro e quando fomos despertar já era tarde", afirmou. "O projeto torna crime não a ação que choca a sociedade, mas sim a ação de quem se sente chocado. As pessoas podem optar pelo que quiserem sem sofrer sanções, mas quem é contra não pode contestar ou protestar", criticou o deputado.

[reprodução total do texto que se encontra no site do Estadão

O engraçado é que o pastor admite que não prestava atenção no serviço que devia
fazer.

Bom, devemos agradecer a isso. Particularmente, qualquer pessoa que se diz repre-
sentante de uma classe ou um grupo étnico, político, religioso e afins na Câmara não
merece meu respeito. Ele devia legislar para a vontade geral (que, vejam bem, é
completamente diferente da vontade da maioria - no próximo post eu escrevo sobre
isso, acho pertinente à discussão).

ps: perdoe-me qualquer erro de português e a falha na formatação, algumas vezes o
Blogger tem problemas para entender um comando simples e estou sem tempo para
fazê-lo entender.

sábado, 25 de novembro de 2006

um dia perfeito para bombardeamentos




Deslizo para a frente através da minha mente, penso metade do tempo ao contrário. Vejo-me a cantar a canção que escrevemos juntos. Tivemos um sonho, tivemos tudo. Fomos até ao fim do mundo, fomos à procura. Subimos arranha-céus que depois explodiram, já não havia paz. Perdi o balanço e caí para trás.

Deslizo para a frente através da minha mente, volto sempre ao mesmo sítio. Silêncio sem resposta.

A melhor coisa que Deus criou é haver todos os dias um novo dia.




[música e clipe de banda islandesa Sigur Ros, da música Vidrar Vel Til Loftarasa]


Um vídeozinho já bastante divulgado nas comunidades.

Acho ele muito bonito devido à sutileza da história. Depois que achei a tradução da letra, apaixonei-me. Vejo uma realidade impresionante no clipe. Que os pais, achando que estão salvando os filhos, sangram-nos.


O menino escutara claramente o que seus pais lhe disseram, absorvera palavra por palavra, repetindo-as nas lembranças. Cada palavra matava uma boa memória, um momento único de prazer de sua vida. Esperava que sobrasse pelo menos um pequeno fiapo de algum bom momento quando chegasse onde seus pés o levavam.

Pés. Metrô. Ônibus. Pés. O prédio. A calçada.

Não era um solitário, não se isolava socialmente, mas, naquele momento, tornara-se um ser diferente - aqueles que todos olham diferente. E, sentado naquela calçada, em frente àquele prédio, gostaria de voltar a ser normal.

O calor humano próximo.

Não queria mudar, seria assim a vida inteira, sentiria isso infinitivamente. Reagiria àquelas sensações com o mesmo extâse anterior.

Braço no ombro. O amigo.

Porém agora percebera que era diferente. Seus pais lhe disseram, abriram-lhe os olhos. Mostraram-lhe uma realidade cruel.

O beijo. Os lábios. O amante.

Mas era normal. O amor, as carícias, todo era normal, via todos os dias, o tempo todo. Por que teria de lutar por algo tão singelo, tão simples, tão ordinário?

Afinal de contas, o que interessava aos pais? Por que eles preferem matar os filhos - direta ou indiretamente - a aceitá-los assim?



Quero viver esse amor imensa, indeterminada e inteiramente. Quero respirar, ser normal, parar de me preocupar, parar de morrer dia após dia...

"Ninguém tem o direito de dizer a quem quer que seja que o seu amor por outro ser humano é moralmente errado."
(Barbra Streisand)

domingo, 19 de novembro de 2006

Frases do ministro Paulo Vannuchi

“O ódio anti-homossexuais é um ódio contra a sexualidade. Homofóbicos têm sexualidade reprimida que se transforma em repulsa à diversidade sexual.”

“Mulheres, negros, GLBT e portadores de deficiência não são minorias. São cidadãos que precisam ter sua liberdade garantida. E o que é a liberdade? É aquilo que Cecília Meireles dizia – ‘não há ninguém que há explique, nem ninguém que não há entenda.’"

“Ninguém é indivíduo, no sentido de não ser dividido. Dentro de nós existem pelo menos dois lados: o masculino e o feminino e é preciso um mínimo de liberdade para vivenciar essas duas sexualidades.”

A idéia de pecado apóia as guerras. O monoteísmo é contra qualquer forma de diversidade, incluindo a sexual. Vejam o caso do presidente norte-americano George Bush, religioso que legalizou a tortura para prisioneiros especiais, permitindo a utilização de técnicas que incluem afogamentos, interrupção do sono e uso de câmaras frigoríficas.”

[fonte: G News]


Frases ditas pelo ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos, na 2º Congresso da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros. Todas as frases foram ótimas. As partes destacadas são as que mais me chamou a atenção.

Lembrando, não existe maioria e minoria no Estado democrático, e sim cidadãos. Não existe "a vontade da maioria", há a necessidade da satisfação da "minoria" também.


quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Irã executa na forca homem acusado de sodomia

Um iraniano acusado de sodomia foi enforcado numa cerimônia pública realizada no povoado de Kermanshah na noite desta terça-feira, informou a agência de notícias Irna.

O homem, identificado como Shahab Darvishi, foi acusado de corrupção moral, golpe e sodomia.

A execução pública atraiu centenas de pessoas que apoiaram a condenação, acrescentou a agência.

A aplicação desta sentença eleva para pelo menos 117 a quantidade de pessoas executadas no Irã este ano, segundo contagem baseada em informes de imprensa e testemunhos.

Segundo a Anistia Internacional, 94 pessoas foram executadas no Irã em 2005. Os delitos que são punidos com a pena capital no Irã incluem o assassinato, o estupro, o roubo à mão armada, a apostasia e a negação da fé, a blasfêmia, o tráfico de drogas em grandes quantidades, a sodomia em repetidas oportunidades, o adultério, a prostituição, a traição e a espionagem.

[fonte: Portal Terra]

Entenda-se por sodomia a prática homossexual masculina. Revoltante, é verdade, mas primeiramente se precisa lavar a própria roupa suja antes de apontar o dedo para os outros. Revoltante sim, mas é lei lá, onde a religião e o Estado são extremamente unidos. Ir contra isso seria etnocentrismo. A população do próprio país tem que se manifestar. É arriscado, quase suicídio? Sim, é. Mas é uma luta advinda do próprio povo, e é isso que vale.

Arrumemos primeiro nossa casa, sim? É como Gandhi já dizia:
Devemos ser a mudança que queremos ver no mundo.