Em minha última aula de Língua Portuguesa do semestre tive que me manifestar voluntariamente. Por alguma razão por mim desconhecida (devido a uma pequena fuga para espairecer), iniciou-se o tema polêmico: adoção daquela criança pelo casal homossexual.
Entre comentários sobre o preconceito que a menina sofreria preconceito devido aos pais (manifestei-me argumentando que crianças sofrem preconceitos por pais pobres, gordos, vegetarianos; e uma colega completou dizendo que ela cresceria e entenderia) e a troca de “valores” da menina (como uma colega falou: homossexualidade não é “valor”) um ignóbil resolveu abrir a boca:
“Professor, eu não concordo com o uso da palavra 'casal' para eles, porque, se você olhar na etimologia da palavra, ela se refere a um macho e uma fêmea. Gostaria que você me orientasse quando a isso. É certo o uso da palavra ou é melhor referir como associação?”
Eu não tive forças para responder – porque eu xingaria-o muito. Mas uma colega me fez esse favor e esclareceu a ele que as palavra estão sempre se adaptando à época. E olhe que tivemos que ler um texto muito grande justamente sobre isso. Mas esse questionamento não foi o pior, acreditem. Após um tempo, quando eu já pensava que ele se colocara no lugar dele...
O dito cujo começa a dizer que as pessoas tem que seguir os padrões da sociedade! Mas não foi o pior, primeiro ele disse que o movimento gay queria casamento na igreja! E falou que o Catolicismo era democrático!
Três pontos. Primeiro, quer dizer que eu tenho que me omitir para ser mais da sociedade? Não, não, meu senhor. Eu vou gritar o quanto eu quiser até que a sociedade veja que me reconhecer não fará mal nenhum a ela, mas a mim sim.
Segundo, aí eu me manifestei e transcrevo exatamente o que eu disse: “Só para corrigi-lo, porque até dói ouvir isso, os homossexuais não reclamam por casamento na igreja, até porque, na maioria das vezes, eles não são religiosos justamente porque são repudiados. Eles querem o reconhecimento da união (...)”. E ainda tive que ouvir uma resposta que ele não falou isso por opinião dele, ele vira em algum lugar. Fiquei muito feliz em ver um casal de colegas revirando os olhos e questionando baixinho: “onde?”.
Terceiro, nenhuma religião é democrática, e sim teocrática. Você tem que seguir as regras do ser absoluto, não pode questionar, só crer. Não é uma crítica, é uma verdade.
Pois é, esse é o único tema que me faz manifestar nas aulas por livre e espontaneamente. Como em minha turma tem muitos homofóbicos, espero que minhas manifestações mudem a mentalidade deles, nem que seja só as idéias erradas. Concordo com Gandhi: nós devemos ser a mudança que queremos no mundo.
Entre comentários sobre o preconceito que a menina sofreria preconceito devido aos pais (manifestei-me argumentando que crianças sofrem preconceitos por pais pobres, gordos, vegetarianos; e uma colega completou dizendo que ela cresceria e entenderia) e a troca de “valores” da menina (como uma colega falou: homossexualidade não é “valor”) um ignóbil resolveu abrir a boca:
“Professor, eu não concordo com o uso da palavra 'casal' para eles, porque, se você olhar na etimologia da palavra, ela se refere a um macho e uma fêmea. Gostaria que você me orientasse quando a isso. É certo o uso da palavra ou é melhor referir como associação?”
Eu não tive forças para responder – porque eu xingaria-o muito. Mas uma colega me fez esse favor e esclareceu a ele que as palavra estão sempre se adaptando à época. E olhe que tivemos que ler um texto muito grande justamente sobre isso. Mas esse questionamento não foi o pior, acreditem. Após um tempo, quando eu já pensava que ele se colocara no lugar dele...
O dito cujo começa a dizer que as pessoas tem que seguir os padrões da sociedade! Mas não foi o pior, primeiro ele disse que o movimento gay queria casamento na igreja! E falou que o Catolicismo era democrático!
Três pontos. Primeiro, quer dizer que eu tenho que me omitir para ser mais da sociedade? Não, não, meu senhor. Eu vou gritar o quanto eu quiser até que a sociedade veja que me reconhecer não fará mal nenhum a ela, mas a mim sim.
Segundo, aí eu me manifestei e transcrevo exatamente o que eu disse: “Só para corrigi-lo, porque até dói ouvir isso, os homossexuais não reclamam por casamento na igreja, até porque, na maioria das vezes, eles não são religiosos justamente porque são repudiados. Eles querem o reconhecimento da união (...)”. E ainda tive que ouvir uma resposta que ele não falou isso por opinião dele, ele vira em algum lugar. Fiquei muito feliz em ver um casal de colegas revirando os olhos e questionando baixinho: “onde?”.
Terceiro, nenhuma religião é democrática, e sim teocrática. Você tem que seguir as regras do ser absoluto, não pode questionar, só crer. Não é uma crítica, é uma verdade.
Pois é, esse é o único tema que me faz manifestar nas aulas por livre e espontaneamente. Como em minha turma tem muitos homofóbicos, espero que minhas manifestações mudem a mentalidade deles, nem que seja só as idéias erradas. Concordo com Gandhi: nós devemos ser a mudança que queremos no mundo.

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